xadrez
 
 
  O bom editor


Cláudio Amaral (*)


Quais são as funções, as qualidades e as características do bom editor, seja ele de jornal, de revista, de rádio, de televisão ou de conteúdo de algum site?

Esse foi um dos assuntos que analisamos por horas durante um dos dez dias do primeiro módulo do Master de Jornalismo para Editores de 2003, ministrado de 17 a 28 de março de 2003.

O grupo, formado por 20 jornalistas de diferentes veículos e cidades do País, concluiu, com a ajuda do professor Paco Sánchez, da Universidade de Navarra, Espanha, que as principais competências do editor são:

· paciência

· sensibilidade

· equilíbrio

· bom senso

· liderança

· otimismo

· honestidade (aqui incluídos a ética e o caráter).

Definimos também que existem basicamente dois tipos de editores: o treinador (do qual já falei com alguns colegas da Redação da Imprensa Oficial, com base numa experiência que tive na Folha de S.Paulo) e o sargento.

O treinador trabalha para o time ganhar, tem interesse muito forte em colocar cada um no lugar certo, aproveita as virtudes de cada um, promove os seus subordinados, diz sempre o que está certo e também o que está errado (e aponta as razões), Seus repórteres acabam tendo critérios e capacidade de discernir. Ele nunca fala palavrão, nunca corrige em público, tem autoridade mas não é autoritário, procura gente muito boa e que, inclusive, possa ser melhor do que ele, dá o direito de errar, sempre defende a equipe que comanda. Quando algo vai mal ele sempre pensa “a culpa é minha”, tem uma relação de chefe de equipe com seus superiores, tem transparência e sinceridade ao apontar os defeitos dos seus subordinados, não revela as preferências e dá tratamento igual a todos.

O editor sargento trabalha para que haja ordem e para que todos obedeçam as ordens dele, preocupa-se sempre com os defeitos porque eles podem lhe dar problemas, não promove para não ter quem o ameace, fala muitos palavrões, sempre corrige em público, é inseguro, tem autoridade sancionadora, procura gente dócil para trabalhar com ele, nunca tem um bom substituto, não dá o direito de errar, nunca tem culpa de nada e sempre culpa os seus repórteres, avalia mal os seus subordinados.



(*) Cláudio Amaral é jornalista em São Paulo, gerente de Redação da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e está cursando o Master de Jornalismo para Editores 2003 no Centro de Extensão Universitária da Universidade de Navarra – Espanha.